A liberdade de um beija-flor

Existia uma menina que cresceu em meio a uma cidade simples, daquelas que ainda se vêem os pássaros, que a natureza se expressa em muitas cores e formas, onde existe uma brisa leve de esperança a cada manhã. Durante muitos dias a menina recebeu a visita de um beija-flor em sua janela e foi se afeiçoando a ele. O beija-flor se alimentava da água doce ali deixada, observava a menina por alguns instantes e partia.

Certo dia a menina teve um sonho, onde o beija-flor partiu e nunca mais retornou. Muito triste ela caminhou até a beira de um lago e começou a conversar com o velho Carvalho. Contou do seu amor ao beija-flor, de como ele vinha visita-lá a cada manhã, de tudo que ele poderia ter de bom vivendo ali.

O velho Carvalho já tinha vivido muito, aprendido com os raios do sol,

com os ciclos da lua, com a espera e a entrega que tinha de fazer a
cada espera pela chuva. Ele se compadeceu com o amor verdadeiro da menina e disse:

-Observe a natureza minha filha. Você pode ganhar uma semente, preparar o solo, utilizar o fertilizante e regá-la , mas, cabe a ela decidir a sua forma de crescimento, o seu ritmo e se aquele é o lugar onde ela se sente pronta a nutrir suas raízes. Faz parte da natureza de um beija-flor ser livre, você deve oferecer da água sem esperar nada em troca.

Mas e se ele não voltar? - perguntou a menina.

Isso pode acontecer. - responde o Carvalho. Assim como ele pode voltar trazendo a beleza de muitos jardins que visitou.

 

por Diogo Guedes

No Comments Yet.

Leave a comment